Archive for March, 2014

O assunto megafauna chama muito a atenção dos alunos – e não é para menos, já que é impressionante saber que esses animais gigantes viveram em nosso continente. Então, resolvi buscar mais informações para complementar nosso conhecimento. O Atlas Virtual da Pré-História traz um índice inteiro de animais do Pleistoceno que você pode consultar. Abaixo, separei alguns que viveram na América do Sul.

1. Preguiça gigante (Megatherium americanum).

Vários fósseis do Megatherium já foram encontrados no Brasil, como você pode ver nos vídeos do último post. Como ele era herbívoro, passava o dia inteiro comendo folhas de árvores e arbustos para sustentar seu corpo enorme de 4 toneladas. Apesar de ser um animal pacífico, não devia ser fácil caçar um Megatherium, porque com certeza ele era muito forte e suas garras faziam um bom estrago nos adversários. Ele foi extinto no final do Pleistoceno – em parte por causa da mudança climática, em parte por causa da caça.

Megatherium

Abaixo, uma foto minha tentando abraçar a réplica de um fóssil de preguiça gigante em exposição permanente no Museu Nacional da UFRJ, no Rio de Janeiro.

IMG_0978

2. Tigre Dentes de Sabre Sul Americano (Smilidon populator)

O primeiro fóssil do Smilidon foi encontrado pelo dinamarquês Peter Lund em Lagoa Santa, Minas Gerais, em 1842. Esse felino podia pesar até 400Kg e possuía caninos enormes de quase 30cm, que certamente o auxiliava na caça. Sua musculatura não se assemelha à dos tigres atuais, sendo comparada apenas à dos nossos ursos. Para sua potente mordida, sua boca chegava a se abrir em até 120°! Os Smilidon viviam em bandos, aparentemente ajudando uns aos outros – já foram encontrados fósseis com pernas feridas, sugerindo que o animal ficou um tempo sem poder caçar, sendo alimentado pelo bando.

Smilidon populator

Abaixo, uma foto da minha esposa próxima a uma réplica do fóssil de um Tigre de Dentes de Sabre, também em exposição no Museu Nacional da UFRJ. Repare os dentões e a abertura da boca. Enormes!

Smilidon e Thays

3. Macrauquênia (Macrauchenia patachonica)

A macrauquênia possuía 2,6m de altura e era muito semelhante aos atuais dromedários, como os camelos, mas possuía uma pequena tromba, semelhante às dos elefantes.

Macrauchenia

4. Tatu gigante (Pampatherium typicum)

Com 2,6m de comprimento, o Pampatherium foi um dos maiores tatus que já existiu. Viveu há cerca de 11 mil anos na atual Argentina.

Pampatherium typicum

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Folha

A Folha de S. Paulo organizou um debate para discutir a Ditadura Militar brasileira. Cito abaixo alguns trechos de destaque. Para ler a reportagem completa, clique na imagem acima.

De um lado, a jornalista Mariluce Moura, atual diretora de redação da revista “Pesquisa Fapesp”, ex-integrante da Ação Popular, grupo de esquerda de influência católica que combatia o regime. Do outro, o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. E entre os dois, prometendo fazer uma análise com “mais distanciamento”, o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, pesquisador da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e autor de livros e artigos sobre o período. […]

Rodrigo Patto Sá Motta procurou mostrar que, durante a ditadura, o Brasil se modernizou do ponto de vista econômico, tecnológico e industrial. Citou ainda a estruturação do sistema brasileiro de pós-graduação nas universidades. Mas afirmou que “toda essa modernização poderia ter sido alcançada num regime democrático”.

Segundo o pesquisador, restou provado, já logo após o golpe de 1964, que o presidente João Goulart e seus aliados não tinham qualquer plano de promover uma revolução esquerdista no país. “Mas os grupos que chegaram ao poder [com essa justificativa] passaram a ter então um outro projeto, o de manutenção no poder”.

Lembrando que os grupos de oposição armados eram pequenos e mal articulados, Motta afirmou que foi um exagero decretar o AI-5 para combatê-los. “Parte da motivação do AI-5 era se segurar no poder”, avaliou.

A crítica ao exagero da repressão é comum em avaliações históricas sobre o período. Paiva discordou dessa tese, lembrando que “a guerra revolucionária sempre começa pequena”, mas pode se alastrar. “Se não mata na raiz, acontece o que aconteceu com as Farc na Colômbia ou com o Sendero Luminoso no Peru”, disse.

Em diversas ocasiões o general afirmou que os conflitos daquele período eram manifestações de “uma guerra” em curso no país. Até que Mariluce retrucou. “Tortura não é combate de guerra, é genocídio”, disse. […]

Mediado pelo jornalista Ricardo Balthazar, editor do caderno “Poder”, o debate ocorreu no Teatro Folha, no bairro de Higienópolis. Durou cerca de 1 hora e 20 minutos.

Folha de S. Paulo

A Folha de São Paulo, um dos principais jornais do país, lançou uma página inteira sobre o Golpe Militar de 1964 e a Ditadura que se seguiu a ele: textos, fotos e vídeos de um momento decisivo da nossa história. Vale a pena clicar na imagem acima e conferir as reportagens.

Chamo atenção especial sobre a reportagem abaixo. Em textos e vídeos, um conteúdo super dinâmico, excelente para os jovens. Não deixem de conferir.

Reportagem Especial

Comecei a exibir hoje na escola esses vídeos sobre a Pré-História do Brasil. Quem ainda não viu ou quem quer ver de novo pode assistir direto no YouTube. É muito legal.

1. Bom dia Brasil, Rede Globo Ossadas de animais gigantescos são descobertas no sertão do Piauí.

2. Jornal do SBT. Fóssil de preguiça gigante é encontrado em Maravilha, Alagoas.

3. Caminhos da Reportagem, TV Brasil. Serra da Capivara e Serra das Confusões.

Carta na Escola.

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A Revista Carta na Escola publicou uma surpreendente entrevista com o ex-jogador e deputado federal Romário. O parlamentar criou um projeto de lei para tornar crime passível de prisão a divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem a permissão da pessoa retratada. A lei vem para disciplinar uma ação que se torna cada vez mais comum nos nossos dias, levando-nos a refletir sobre a privacidade na era digital. Reproduzo abaixo alguns trechos mais relevantes. Clicando na imagem acima, você pode ler a entrevista completa.

Boa leitura!

Revenge porn, ou “pornografia de revanche”, é o ato de compartilhar sem permissão fotos ou vídeos íntimos de terceiros em redes sociais ou páginas da internet. Na maior parte dos casos, as vítimas são mulheres e os autores, homens com quem elas mantinham relações, não raro inconformados com a separação. […] a pornografia de revanche chamou a atenção do deputado federal Romário (PSB-RJ). Ele é o autor de projeto de lei que visa criminalizar a divulgação de nudez e atos sexuais sem permissão. O PL nº 6.630/2013 prevê pena de até três anos de detenção e indenização – a punição aumenta caso a vítima seja menor de idade ou tenha mantido relacionamento com o autor.

[…]

Carta na Escola – No final de 2013, aconteceram dois suicídios após disseminação de vídeos íntimos na internet. Como o projeto de lei ajudaria a evitar esse tipo de situação?
Romário – O projeto torna a lei mais rígida para que a pessoa que cometer o ­crime tenha punição equivalente à gravidade do ato e arque com suas consequências. Hoje as penas são brandas. Acredito que a ­exposição que o problema ganhou já ajudará a evitar, porque estão vendo que isso é algo muito sério. Também acredito que quem pensou em fazer isso vai pensar duas vezes com a possibilidade de detenção.

[…]

Carta na Escola – Por que a mulher é socialmente hostilizada quando um vídeo íntimo envolvendo-a é vazado, enquanto o homem, quando exposto em um vídeo de sexo, não sofre constrangimento social?
Romário – Questão machista. O homem é garanhão porque faz sexo, mas a honra da mulher é questionada. Pensamento extremamente atrasado, até mesmo violento.

[…]

Carta na Escola – Uma lei é capaz de influenciar a opinião pública a favor da punição dos responsáveis pela divulgação? A pressão sobre a mulher exposta diminuirá?
Romário – Sim, já vemos isso com a Lei Seca. Hoje as pessoas não tratam com naturalidade quem dirige bêbado e comete acidentes. Acho que acontecerá o mesmo. […]

Se difundiu na rede estadual de ensino a ideia de que só se consegue recursos para a escola obedecendo as normas da Secretaria de Educação. Funcionaria assim: nós adotamos todos os projetos e regras, as mais absurdas que forem, sem questionar. Assim fazendo, teremos acesso aos benefícios do Poder: reformas, tablets, computadores, quadros digitais etc. Isso realmente pode funcionar. O problema fundamental, para mim, é a subserviência ao Poder estabelecido. É que esse é o pensamento do bom soldado que aniquila os inimigos de seu país sem questionar a moralidade de seus atos – é o pensamento dos Paul Tibbetts Jr. da vida. Afinal, somos bons funcionários, temos a consciência tranquila e nunca pensamos nos danos que possamos causar à valorização da carreira do professor, aos discentes e à Educação num contexto amplo. É preciso romper definitivamente com a cultura da subserviência.

A Secretaria de Estado da Educação tem a obrigação legal e moral de servir às escolas. Não se trata absolutamente de uma troca de favores. A escola precisa ser crítica com relação aos projetos implementados pela SEDU (o que dizer da estúpida Pauta Eletrônica? Quantas vezes escutamos a ordem “tem que fazer!” a despeito do prejuízo na elaboração das aulas? Prejuízo sofrido sobretudo pelos nossos alunos), precisa exigir objetivos claros e medidas estruturais, que mudem realmente o modelo da educação estadual. Como questiona Alfredo Bosi na edição 781 de Carta Capital, “para onde se movem essas máquinas gigantescas que se chamam sistemas escolares?”. Trata-se de exigir o cumprimento de direitos estabelecidos. É um caminho difícil, conflitivo, e que nos afastará das boas graças do Poder. É, contudo, o único caminho para uma valorização real da Educação. Não há mudanças quando os principais atores abaixam suas cabeças e obedecem acriticamente – e falam, obviamente da boca para fora, que vão formar cidadãos.

LinguaPortuguesa.

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A Revista Língua Portuguesa de fevereiro de 2014 trouxe uma excelente edição comemorativa de sua centésima publicação. O dossiê principal, “100 mitos da linguagem” quebra muitos lugares comuns importantes. Eu fiz um esforço para selecionar três, que digitei para vocês. Os outros 97 podem ser lidos na escola, que possui dois exemplares para consulta.

Boa leitura!

1. “Saudade” só existe em português.

A palavra “saudade” não é particularidade da língua portuguesa. Porque derivada do latim, existe em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. O catalão soletad. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da “nostalgia de casa”, a vontade de voltar ao lar.

A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: saudade é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mesmo no campo semântico, no entanto, há correspondente, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se “durere”).

É um sentimento que existe em árabe, na expressão alistiyáqu ‘ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nosso saudade, tanto quanto o latim. […]

35. “Presidenta” é invenção da Dilma.

A palavra “presidenta” é usada em português ao menos desde 1872. Foi usada por Machado de Assis em 1880, no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas. E abonada no Vocabulário Ortográfico e Ortoépico da Língua Portuguesa, de Gonçalves Viana (Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1909). (Leo Ricino) […]

61. Todo escravo era analfabeto.

Muitos escravos no Brasil tinha familiaridade com a escrita, portuguesa ou não (os malês da Bahia escreviam em árabe suas orações a Alá). Em anúncios de jornais e documentos, a descrição física e das habilidades dos escravos fugidos ou à venda realçava marcas e cicatrizes, é verdade, mas também atributos, como ofício, capacidade de leitura ou escrita, úteis em atividades especializadas, como alfaiate, pedreiro ou carpinteiro, que exigiam uso de cálculos e escrita. […].