golpe64 – Em debate na Folha, expositores discordam sobre sentidos da ditadura

Posted: March 30, 2014 by Vitor C. in Conhecendo melhor
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Folha

A Folha de S. Paulo organizou um debate para discutir a Ditadura Militar brasileira. Cito abaixo alguns trechos de destaque. Para ler a reportagem completa, clique na imagem acima.

De um lado, a jornalista Mariluce Moura, atual diretora de redação da revista “Pesquisa Fapesp”, ex-integrante da Ação Popular, grupo de esquerda de influência católica que combatia o regime. Do outro, o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. E entre os dois, prometendo fazer uma análise com “mais distanciamento”, o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, pesquisador da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e autor de livros e artigos sobre o período. […]

Rodrigo Patto Sá Motta procurou mostrar que, durante a ditadura, o Brasil se modernizou do ponto de vista econômico, tecnológico e industrial. Citou ainda a estruturação do sistema brasileiro de pós-graduação nas universidades. Mas afirmou que “toda essa modernização poderia ter sido alcançada num regime democrático”.

Segundo o pesquisador, restou provado, já logo após o golpe de 1964, que o presidente João Goulart e seus aliados não tinham qualquer plano de promover uma revolução esquerdista no país. “Mas os grupos que chegaram ao poder [com essa justificativa] passaram a ter então um outro projeto, o de manutenção no poder”.

Lembrando que os grupos de oposição armados eram pequenos e mal articulados, Motta afirmou que foi um exagero decretar o AI-5 para combatê-los. “Parte da motivação do AI-5 era se segurar no poder”, avaliou.

A crítica ao exagero da repressão é comum em avaliações históricas sobre o período. Paiva discordou dessa tese, lembrando que “a guerra revolucionária sempre começa pequena”, mas pode se alastrar. “Se não mata na raiz, acontece o que aconteceu com as Farc na Colômbia ou com o Sendero Luminoso no Peru”, disse.

Em diversas ocasiões o general afirmou que os conflitos daquele período eram manifestações de “uma guerra” em curso no país. Até que Mariluce retrucou. “Tortura não é combate de guerra, é genocídio”, disse. […]

Mediado pelo jornalista Ricardo Balthazar, editor do caderno “Poder”, o debate ocorreu no Teatro Folha, no bairro de Higienópolis. Durou cerca de 1 hora e 20 minutos.

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