O mensalão e a história

Posted: April 28, 2014 by Vitor C. in História & Atualidades
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CongressoF   Folha

Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais uma de suas declarações polêmicas, afirmando que o julgamento do mensalão, que levou para a cadeia alguns figurões do Partido dos Trabalhadores (PT), foi 80% político e 20% jurídico. Eu realmente não poderia dizer quanto do julgamento do mensalão foi político, contudo, fica evidente o desejo do ex-presidente de usar seu prestígio para recontar o caso e favorecer sua candidata à reeleição presidencial. Assim é a história: grupos de interesse disputam a verdade de certos acontecimentos até que, com o tempo, as pesquisas venham a formular interpretações mais amplas, considerando o contexto completo. O processo do mensalão certamente será alvo das investigações dos historiadores do Brasil e essa história será recontada inúmeras vezes — provavelmente não do jeito que o ex-presidente gostaria.

Cito abaixo trechos do Congresso em Foco e da Folha de S. Paulo que tratam do assunto.

1. Congresso em Foco. Lula diz que petistas presos no mensalão não são de sua confiança.

[…] Lula afirmou que o julgamento será “recontado” e que ele “teve praticamente 80% de decisão política e 20% jurídica”. Em entrevista à rede de televisão portuguesa RTP, levada ao ar neste domingo (27), o ex-presidente interrompeu a jornalista Cristina Esteves quando ela questionou-o sobre pessoas de sua confiança que foram presas. “Não se trata de gente da minha confiança. Tem companheiros do PT presos, eu indiquei seis pessoas da Suprema Corte que julgaram e acho que cada um cumpre com seu papel”, afirmou Lula. “Não houve mensalão.” […]

Na entrevista, Lula minimizou as queixas de gastos com a Copa do Mundo e dos protestos de junho. “A gente não faz a Copa do Mundo pensando em dinheiro. A Copa é o encontro de civilizações”, disse ele.

O ex-presidente disse que o motivo dos protestos é um desejo natural de melhoria de vida das pessoas. “Porque o povo quer mais. Ah! Assim é a humanidade. Se hoje você come contrafilé, amanhã você quer filé”, afirmou Lula. “Acho extraordinário que o povo queira mais. Instituiu-se no Brasil o padrão Fifa. Eu quero escola padrão Fifa, transporte padrão Fifa. Eu acho ótimo”. […]

2. Folha de S. Paulo. Avaliação de Lula sobre mensalão é ‘troço de doido’, diz ministro do STF.

[…] Para Marco Aurélio, o ex-presidente está exercendo o seu “sagrado direito de espernear”. Ele espera, porém, que a tese defendida por Lula não ganhe ressonância na sociedade.

“Só espero que esse distanciamento da realidade não se torne admissível pela sociedade. Na dosimetria [tamanho das penas] pode até se discutir alguma coisa, agora a culpabilidade não. A culpa foi demonstrada pelo Estado acusador”, disse. […]

Além disso, o ministro ainda lembrou que, no final da primeira fase do mensalão a composição do STF era majoritariamente formada por ministros indicados por Lula. Por isso, em sua avaliação, as críticas do ex-presidente não fecham. “Ele repete algo que não fecha. No final do julgamento eram só três ministros não indicados por ele […]”.

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