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Para quem está estudando os primeiros movimentos operários e o surgimento do socialismo, vale a pena ler o livro O que é capital (baixar em pdf), de Ladislau Dowbor. Formado em Economia na Suíça e doutorado na Polônia, Dowbor é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e atua também como conselheiro em várias organizações das Nações Unidas. No trecho abaixo, ele nos mostra, da maneira mais simples possível, como os trabalhadores acabam pagando pela construção das fábricas que, no fim, são vistas como propriedade dos capitalistas (ou burgueses). Os livros do professor podem ser baixados gratuitamente em seu site oficial: http://dowbor.org

Vejamos por exemplo o caso de um empresário que obtém um subsídio do Estado para construir uma fábrica. O Governo, no caso de estar esgotada a poupança forçada que recolheu através do imposto, pode financiar o empresário emitindo a moeda necessária. Trata-se de produzir papel, que pouco custa ao Estado. O empresário utilizará o dinheiro para pagar fatores de produção, pagar trabalhadores, comprar cimento e máquinas, matéria prima. De uma maneira ou de outra, o dinheiro se transformará em salários de trabalhadores, seja diretamente aos que constroem a fábrica, (trabalho direto), seja indiretamente aos que produziram o tijolo, as máquinas, etc. (trabalho indireto).

Resultará assim um fluxo de renda que se transforma, nas mãos do trabalhador, em pressão sobre o mercado de bens de consumo. Ora, a este aumento de consumo não correspondeu um aumento de produção de bens de consumo, pelo contrário, já que meios de produção foram desviados para construir uma empresa, produzindo-se relativamente menos bens de consumo.

Temos assim mais renda para comprar bens de consumo, e relativamente menos bens de consumo. Como não há milagres, e só se pode consumir o que efetivamente a sociedade produziu, haverá dois processos possíveis: ou os preços se mantêm estáveis, e faltará ao consumidor a mercadoria que quer comprar – sendo obrigado a poupar por falta de produto – ou, hipótese normal, o comerciante aumentará o preço do produto para aproveitar a maior procura. O resultado, naturalmente, é que com o aumento dos preços todos os trabalhadores consumirão menos, já que o seu salário só será reajustado mais tarde, depois de lutas e pressões, e todos os trabalhadores pouparão, queiram ou não, para pagar a construção do empreendimento.

Temos assim a inflação – aumento de preços – como processo de poupança forçada, levando o trabalhador a pagar, com o menor consumo da sua família, a fábrica construída.

Uma característica importante desta poupança, além de ser forçada, é o fato de ser poupança posterior. Em outros termos, em vez de se tratar de um marceneiro que, por exemplo, poupou durante anos, reduzindo o seu próprio consumo, para abrir a sua própria marcenaria – neste caso há poupança anterior ao investimento –, no caso da fábrica visto acima houve emissão monetária, processo artificial destinado a pôr nas mãos de um empresário recursos financeiros – papel – para comprar fatores de produção, acarretando uma poupança social posterior e involuntária, por parte dos trabalhadores em geral. No caso citado do marceneiro, quem poupou foi ele. No caso do produtor subsidiado, a poupança foi social, constituindo-se em uma extração de mais-valia social.

A poupança posterior, ou ex post, tornou-se um processo-chave da acumulação no sistema capitalista, na medida em que a relativa autonomia dos mecanismos financeiros e monetários modernos permite iniciativas que não correspondem à base produtiva real da economia, levando a um conjunto de desequilíbrios e reajustes para que a correspondência entre os dois níveis possa ser reencontrada num momento ulterior.

Ora, o que observamos é que os trabalhadores no seu conjunto fizeram a poupança para pagar o empreendimento – são eles que consumiram menos e não o empresário – e a fábrica desponta como propriedade do empresário. Como? Porque foi a ele que se atribuiu o papel-moeda que representa o valor dos fatores de produção utilizados.

O Estado só tinha papel, e deu ao empresário o que tinha. Quem realizou o esforço para transformar este papel em meios concretos de produção – na fábrica construída – foi o trabalhador, e quem fez a poupança foram os trabalhadores também: no entanto, a fábrica é do capitalista.

O empresário ganhou assim uma fábrica sem poupar, milagre das nossas leis sobre propriedade privada dos bens de produção. Em outra fase, se o governo considerar que se trata de empréstimo e não de subsídio, o empresário poderá devolver-lhe o dinheiro por outro mecanismo simples, e que já vimos no capítulo anterior: pagar aos seus trabalhadores menos do que o valor do produto obtido, e com a diferença saldar a dívida para com o Estado, ao mesmo tempo que aufere lucros pessoais. E dirá, tranquilamente, que o seu lucro constitui a remuneração do seu capital.

Capital que, evidentemente, ele nem produziu e nem poupou.

DOWBOR, Ladislau. O que é capital. 9ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1991. p. 40-43.

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Quem leu o material sobre Formação Territorial do Brasil viu que a minissérie O Tempo e o Vento, segunda adaptação que a Rede Globo faz do livro de Érico Veríssimo, possui alguns pontos de contato com a nossa matéria.

Como estudamos, os jesuítas espanhóis estabeleceram um grande núcleo missionário, que ficou conhecido como Sete Povos das Missões, às margens do rio Uruguai. Tempos depois, o Tratado de Madri, entre Portugal e Espanha, passou a área de Sete Povos para o domínio português e determinou a retirada daquelas pessoas da região. O fato deu origem às Guerras Guaraníticas, célebre episódio da resistência indígena (e jesuíta, nesse caso) às determinações das metrópoles europeias.

Preparei um resumo do primeiro episódio, com ilustrações mostrando a vida nas missões e sua destruição pelas tropas luso-espanholas. Bons estudos!

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Você pode assistir ao filme (exibido em setembro de 2013, pouco antes da adaptação para a televisão) no YouTube. As cenas que mais interessam para a matéria são as das Missões.

Algumas imagens da minissérie:

1. Celebração religiosa conduzida pelos missionários.

2. O trabalho dos indígenas era a fonte da sustentação da Missão.

Após um longo e tenebroso inverno, finalmente um material de apoio para as turmas de Segundo Ano. Trata-se da segunda parte da nossa matéria sobre a Formação Territorial do Brasil, quando vamos abordar o papel dos bandeirantes paulistas nesse processo. De quebra, a matéria é praticamente a introdução para o nosso próximo conteúdo: a mineração na América portuguesa. Para baixar o texto de apoio, é só clicar na imagem abaixo. E atenção aos links sugeridos! Eles são essenciais para complementar seus estudos.

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Links sugeridos.

Sobre os bandeirantes:
1. Revista de História da Biblioteca Nacional. Mito mutante.
2. Revista de História da Biblioteca Nacional. Dossiê Bandeirantes.
3. UOL Educação. Bandeirantes: heróis ou vilões?
4. HistóriAtiva net. O bandeirante Fernão Dias (esse texto serve de exemplo da perspectiva do bandeirante como herói).

Sobre a destruição do Quilombo de Palmares:
1. História Brasileira. Guerra dos Palmares.
2. Comissão Pró-Índio de São Paulo. A resistência no Quilombo de Palmares.
3. Educacional. A destruição de Palmares.

Sobre a resistência indígena no Brasil Colonial
1. História Net. Resistência indígena.
2. IFCH UNICAMP. Resistência indígena à colonização cristã.
3. A noção de “guerra justa” no Brasil Colônia.

Atualidade sobre a destruição das comunidades indígenas:
1. Carta Capital. A nova “guerra justa” aos índios.

Almanaque.

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Quando li essa curiosidade da seção Almanaque na Revista de História da Biblioteca Nacional logo lembrei dos meus alunos do 2º Ano, que acabaram de estudar sobre a União Ibérica e a Restauração Portuguesa. Muito interessante.

A independência do reino de Portugal em relação à Espanha foi recebida com alegria por muitos lusitanos em 1640, quando chegou ao fim a União Ibérica. Mas, segundo a lenda, deixou uma nuvem sinistra pairando sobre a nova dinastia, a de Bragança. Conta-se que o novo rei, D. João IV, desferiu chutes em um frade franciscano que lhe havia pedido esmolas — o religioso, em resposta, lançou uma maldição: todos os primogênitos da família morreriam antes de assumir o trono. O fato é que quase todos os homens primogênitos da casa de Bragança morreram nestas circunstâncias, até o fim da monarquia no Brasil (em 1889) e em Portugal (em 1910). Apenas dois escaparam: D. Pedro V, que assumiu o trono português em 1853, morrendo oito anos depois e passando o trono para o irmão; e D. Carlos I, também em Portugal, que virou rei em 1889 e foi assassinado (junto com seu primogênito) em 1908. No Brasil, os primogênitos da Casa Imperial foram enterrados no convento dos franciscanos, supostamente como uma forma de aplacar a maldição.

Clicando na imagem abaixo, você faz do download da primeira parte da nossa matéria sobre Formação do Território Brasileiro.

Bons estudos!

Formação do Território Brasileiro

Pessoal, preparei um pequeno texto de apoio para nossas aulas de invasões holandesas. Basta clicar na imagem abaixo para baixar e começar os estudos.

Abraço.

Invasões Holandesas