Posts Tagged ‘Brasil Contemporâneo’

Guia_do_Estudante

O Guia do Estudante publicou uma matéria ótima sobre a Ditadura Militar brasileira! É perfeito para quem ainda acha que “naquela época que era bom”, que não havia corrupção ou que havia maior segurança. Um por um, a revista detona todos os mitos da ditadura. Cito trechos. Para ler a reportagem completa, clique na imagem acima.

4. “Não havia corrupção no Brasil”

Uma característica básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço –, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”. Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá. Experimente jogar no Google termos como “Caso Halles”, “Caso BUC” e “Caso UEB/Rio-Sul” e você nunca mais vai usar esse argumento.

[…]

6. “O Brasil cresceu economicamente”

Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.

Advertisements

Carta Escola

O texto de Emir Sader na Revista Carta na Escola de abril esclarece um pouco do impacto que o golpe militar causou no nosso país e do que ficou para trás na transição da ditadura para a democracia. Cito trechos abaixo. Boa leitura!

Para sabermos o que ficou do golpe militar, é preciso antes resumir o que ele introduziu na vida do País. O golpe representou, antes de tudo, a ruptura do processo democrático que o Brasil construía há menos de 20 anos. Pela primeira vez, havíamos elegido presidentes, sucessivamente, por quatro mandatos, com voto universal – mesmo que ainda excluindo os analfabetos.
É certo também que todavia ainda era uma democracia frágil […]. Mas o período entre 1945-1964 tinha representado mesmo assim um avanço democrático, porque tinha sido precedido por 15 anos de ditadura de Getúlio Vargas, que, por sua vez, tinha interrompido uma fase de um sistema oligárquico, dominado por caciques e pelo voto de cabresto – em que os camponeses eram levados a votar nos candidatos apontados pelos latifundiários e pela fraude, entre 1889 e 1930.
O golpe militar rompeu com essa continuidade, impôs a mais brutal ditadura que o País conheceu, destruindo ou golpeando profundamente a tudo o que tivesse elementos de democracia – Parlamento, Judiciário, partidos políticos, sindicatos, imprensa, entidades sociais e culturais, assim como as pessoas que ele arbitrariamente decidisse que estivessem vinculadas a essas atividades, consideradas “subversivas” pelo regime militar.
[…] O Brasil viveu um processo gradual e moderado de transição da ditadura para a democracia. […] Como consequência, o primeiro governo civil depois do fim da ditadura terminou sendo presidido por um político – José Sarney, depois da morte de quem tinha sido eleito por aquele Colégio –, proveniente da ditadura, ao mesmo tempo que seu governo foi composto pelo principal partido de oposição – PMDB – e por um partido originário da ditadura – PFL.
O regime democrático instaurado a partir desse pacto de conciliação entre setores opostos e outros provenientes da ditadura deu-lhe um caráter conservador. Foi restaurado o Estado de Direito […] Mas nenhuma reforma estrutural, de fundo, dos poderes sociais e econômicos da época da ditadura, foi realizada. Não houve reforma agrária, para democratizar o acesso às terras. Não houve reforma do sistema bancário, para permitir a democratização do acesso aos créditos. Não houve democratização dos meios de comunicação que, ao contrário, se tornaram ainda menos democráticos. […] A democracia restaurada foi um misto do velho e do novo, do Estado de Direito e de elementos – econômicos, sociais, políticos – herdados da ditadura. […]

R7

Essa série de reportagens está entre as coisas mais terríveis que já vi na vida. O horror da tortura praticada pelos militares durante a Ditadura parece sempre revelar novas características, mais cruéis. Como se não bastasse perseguir, prender e torturar barbaramente aqueles que se opunham ao regime golpista, ainda levavam seus filhos para assistir aos horrores. Assista aos vídeos. São revoltantes e comoventes.

Folha

Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o Brasil é o pior país em retorno dos impostos em qualidade de vida da população. Isso significa que os altos impostos pagos pela população são muito mal investidos pelo governo, que não os aplica em ações que melhorem nossa qualidade de vida. A reportagem é da Folha de S. Paulo.

Pela quinta vez consecutiva, o Brasil é o país que proporciona o pior retorno de valores arrecadados com tributos em qualidade de vida para a sua população.

A conclusão consta de estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) que compara 30 países com maior carga tributária em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e verifica se o que é arrecadado por essas nações volta aos contribuintes em serviços de qualidade.

Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul ocupam respectivamente as primeiras posições do ranking. O Brasil está em 30º lugar, atrás da Argentina (24º) e do Uruguai (13º), quando se analisa o retorno de tributos em qualidade de vida para a sociedade.

IBPT-Folha

JB   AND

Uma manifestação contra a comemoração do Golpe Militar de 1964 acabou em mais uma demonstração da violência policial no Rio de Janeiro. Quando um manifestante jogou uma garrafa de tinta vermelha no Clube Militar, os policiais partiram para a agressão. As reportagens são do Jornal do Brasil e do jornal A Nova Democracia.

O protesto em repúdio ao golpe militar, que completou 50 anos, teve confusão no Centro do Rio. Um grupo de manifestantes arremessou uma garrafa com tinta vermelha na porta da sede do Clube Militar, que fica na Cinelândia, por volta das 19h. Policiais que faziam a segurança do local reagiram e jogaram duas bombas, uma de efeito moral e outra de gás lacrimogêneo. O grupo se dispersou, mas voltou a se reunir em frente à Câmara Municipal, onde uma outra parte dos manifestantes estava concentrada. […]

A manifestação, chamada de “descomemoração”, segundo os ativistas, foi convocada pelo Facebook. Os organizadores fizeram um apelo para “um belo ato em repúdio à comemoração do golpe militar”, que instaurou “uma ditadura sanguinária e entreguista no Brasil”, diz o texto, que marcou o ato para a porta do Clube Militar, na Avenida Rio Branco.

tvbrasil    IPEA

Em homenagem à grande personalidade que foi Martin Luther King Jr., pastor protestante e liderança fundamental na luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, que tal refletirmos sobre o negro no Brasil?

Eu tenho o sonho de um dia ver meus quatro filhos vivendo numa nação em que não sejam julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo seu caráter — Martin Luther King Jr.

1. Caminhos da Reportagem, TV Brasil. O negro no Brasil.

2. Brasilianas.org, TV Brasil. O negro na formação da sociedade brasileira.

3. IPEA. Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça.

Clicando aqui, você pode conferir infográficos super práticos sobre as desigualdades de gênero e de raça no Brasil de hoje ou mesmo baixar o livreto com a pesquisa completa. Abaixo, um infográfico com a distribuição de domicílios urbanos em favelas segundo sexo e cor/raça do/da chefe da família.

A_Gazeta

Francisco Celson Calmon, coordenador do Fórum Direito à Memória e à Verdade no Espírito Santo, publicou hoje em A Gazeta uma coluna contundente sobre a Ditadura Militar brasileira. Cito trechos.

Desde o primeiro dia do golpe, 1º de abril, pessoas foram presas torturadas e mortas: 50 mil só de abril a agosto, 500 mil investigadas, 200 mil detidas, 11 mil acusadas e 5 mil condenadas, inclusive à pena de morte, mais de 10 mil torturadas, 10 mil exiladas, 402 mortas pela repressão, 143 ainda desaparecidas, 7,5 mil militares perseguidos, ou seja: a nação foi estuprada, vilipendiada e colocada no pau de arara. […]

O crescimento “milagroso” da economia só fez aumentar a desigualdade social e a concentração de renda. O salário-mínimo real sofreu redução de 40% de 1964 a 1967 e no período ditatorial a média ficou em 69% do valor de compra em 1940 — era o arrocho salarial sob a hipocrisia de “primeiro crescer para depois distribuir o bolo”. A indexação monetária foi outra bestial fórmula que levou a inflação a uma espiral sem fim, legando ao governo de transição uma inflação de 200%, além da dívida externa impagável. […]