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Os professores que me perdoem, mas preciso admitir: somos muito fracos. Na última edição de Carta na Escola, um perfil do professor de literatura paulista foi traçado em linhas muito breves e ilustra o que se vê no Espírito Santo: docentes mal formados e com jornadas de trabalho exaustivas que dificultam seu aperfeiçoamento. Com o desprestígio da profissão, os jovens que mais se destacam no Ensino Médio fogem da carreira, legando-a a opção secundária. Trocando em miúdos, a maioria está no magistério por que não tinha outra opção.

Pode ser corporativismo da minha parte, mas acredito que a educação não vai melhorar enquanto a carreira de professor não se tornar mais atrativa. E não falo somente de salário (se não fosse a perda de 11% que o professor teve nos últimos anos, estaríamos ganhando muito bem), mas de melhoria geral das condições de trabalho: amplo tempo de planejamento, estímulo a atividades de pesquisa e formação acadêmica, aprendizado de língua estrangeira, desenvolvimento de projetos pedagógicos e tantas outras mudanças fundamentais.

Tenho insistido nisso: o governo deveria investir no básico, desenvolvendo aos poucos o acessório. Fico frustrado, contudo, quando leio que há mais escolas com internet do que com saneamento básico (A Gazeta). Não dá para melhorar a educação quando o complemento vem antes do essencial.

1. Carta na Escola. Abismo literário.

[…] A maioria dos docentes vem de famílias com baixa escolarização, teve pouco contato com a leitura na infância, fez Ensino Básico na rede pública e superior na particular e recebe salários baixos por jornadas excessivas que dificultam a formação.

2. Veja. Prestígio zero.

[…] Às vésperas de ingressarem na universidade, apenas 2% dos estudantes brasileiros pretendem seguir o magistério – opção que os outros 98% já descartaram. No levantamento, baseado numa amostra de 1500 alunos de ensino médio em escolas públicas e particulares de todo o país, o curso de pedagogia patina na 36ª colocação, entre as sessenta carreiras que hoje mais exercem fascínio sobre os jovens – lista encabeçada pelas áreas de direito, engenharia e medicina. Agrava o cenário saber que esses poucos que ainda optam pela docência se concentram justamente no grupo dos 30% de alunos com as piores notas na escola. Pouco disputado, o curso de pedagogia significa, para a imensa maioria dos estudantes, a única porta de entrada possível para o ensino superior – e não uma carreira de que realmente gostam. Conclui a especialista Bernardete Gatti, coordenadora da pesquisa: “Sem atrair as melhores cabeças para as faculdades de pedagogia, o Brasil jamais conseguirá deixar as últimas colocações nos rankings de ensino”.

3. O Globo. Professor: ainda o pior salário.

Tabulações feitas pelo O Globo nos microdados do Censo do IBGE mostram que a renda média de um professor do ensino fundamental equivalia, em 2000, a 49% do que ganhavam os demais trabalhadores também com nível superior. Dez anos depois, esta relação aumentou para 59%. Entre professores do ensino médio, a variação foi de 60% para 72%.

Apesar do avanço, o censo revela que as carreiras que levam ao magistério seguem sendo as de pior desempenho.

4. A Gazeta. Violência e medo fazem professor desistir da sala de aula.

O perigo da violência e o medo de ameaças que vêm dos alunos fazem com que professores da rede pública peçam exoneração de seus cargos. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), só na Grande Vitória foram 62 pedidos de demissão, devido ao problema, nos três primeiros meses deste ano nas redes municipal e estadual. O diretor de Organização do Sindiupes, Marcelo Castro, afirma que “praticamente todas” as solicitações estão relacionadas à insegurança no exercício da profissão. Ele explica que pelo menos 10% dos professores que saem das escolas foram vítimas de agressão física.

5. Educação Pública, eu apoio. Apagão docente.

[…] Um aspecto revelado no Censo [da Educação Superior], no entanto, preocupa: a redução do crescimento ou estagnação em várias licenciaturas, especialmente naquelas que são cruciais para o desenvolvimento do país. […]

O número de concluintes nos cursos de licenciaturas de todas as áreas sofreu uma redução de 6% em 2012 e tem oscilado com crescimento desigual desde 2004, enquanto os outros tipos de graduação apresentaram maior desenvolvimento no período. […]

Segundo o ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) Mozart Neves Ramos, a falta de professores já não se restringe às escolas públicas e ameaça o crescimento do país. “Isso coloca em risco nosso desenvolvimento tecnológico. Nas áreas consideradas mais estratégicas, o Brasil vai ter dificuldade de estabelecer massa crítica, com reflexos negativos na inovação, na produção de conhecimento e de patentes”, reflete o professor, que foi um dos idealizadores da proposta lançada pelo MEC para incentivar a formação docente. […]

Comparando o número de concluintes de administração em 2012, por exemplo, que é o curso que mais forma no Brasil – 12,8% do total de graduados em 2012 – com o de outras áreas de formação, o levantamento do Inep mostra o tamanho da desproporção na graduação superior. A cada matemático (licenciatura e bacharelado), foram diplomados 10,8 administradores; 19,4 para cada bacharel ou licenciado em química; e 49,2 administradores por egresso da física.

Além das exatas, biologia, geografia e educação artística são outras áreas com falta de professores apontadas pelo ex-reitor do Centro Universitário Uniabeu, Júlio Furtado, o que também indica carências regionais no interior das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Para ele, estamos no início de um “apagão” de mão de obra docente. “Esse apagão é maior no ensino público e na educação básica, onde já se registra falta de mais de 300 mil professores em todo o país. Toda essa situação é responsável por muitos alunos sem aulas ou tendo aulas com professores que não são devidamente formados no que ensinam”, considera Furtado. […]

Quando o assunto é docência, segundo o Censo do Professor de 2007 do Ministério da Educação/Inep, dos professores que dão aula de física, 61% não foram formados sequer em áreas correlatas. Mozart Ramos, que é professor de química na UFPE e já foi secretário estadual de Educação de Pernambuco, lembra de quando visitou uma escola no interior daquele estado em 2006. “Descobri que quem ministrava a disciplina de química era a professora de geografia. Perguntei a ela como fazia para dar as aulas e ela respondeu que simplesmente copiava os conteúdos na lousa. Depois percebi que esse tipo de situação faz parte do cotidiano do ensino no país”, relata Ramos. […]

Não é só por desconhecimento que os jovens estão deixando de procurar a carreira de professor, mas justamente por conhecer o dia a dia das escolas que a profissão docente acaba renegada pelos pré-universitários. A falta de condições de trabalho e os baixos salários já são tema clichê na mídia e nas discussões sobre a educação brasileira. […]

Sugestões de leitura:

Fundação Carlos Chagas. Quem quer ser professor? [pdf]
Cadernos de Pesquisa. Remuneração e características do trabalho docente no Brasil.
Revista Educação. Quanto vale a valorização docente?
Vozes da Educação. Valorizar o professor: o que se quer dizer com isso?

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Carta Escola

A Carta na Escola frequentemente publica matérias interessantes do ponto de vista histórico sobre os grandes conflitos da atualidade, como os da Síria ou da Ucrânia. Minha atenção se voltou especialmente para esse artigo sobre a guerra no Congo, país vitimado no século XIX pelo imperialismo belga. Recomendo a atenção, principalmente dos alunos de 3º Ano. Abaixo, cito alguns trechos. Para ler a matéria completa, clique na imagem acima.

A República Democrática do Congo (RDC) tem recebido crescente atenção da mídia brasileira, graças aos desafios humanitários no país e ao protagonismo que o Brasil, por intermédio do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, vem adquirindo na Missão de Paz da ONU local (Monuc, hoje Monusco), a maior e mais cara empreitada de paz das Nações Unidas. Não obstante, a realidade do maior território da África Subsaariana, há décadas marcado por conflitos, é desconhecida e pouco explicada. Hoje o país vive uma proliferação de grupos armados, violência endêmica e caos humanitário, devido, sobretudo, às heranças da história colonial e pós-colonial e dos anos de guerra. Há esperanças, porém, no potencial de estabilidade político-econômica e no estabelecimento de novas parcerias internacionais.

A realidade da RDC envolve alguns aspectos históricos. A primeira herança marcante foi a colonização belga. Embora a colônia representasse 80 vezes o tamanho da metrópole, esta deixou marcas profundas e nocivas. Entre elas, a forte exploração econômica – combinada com práticas cruéis de opressão da força de trabalho – e a instrumentalização de grupos étnicos para dividir e controlar a sociedade. Esses dois instrumentos engendraram constante dependência de recursos naturais e commodities (borracha, cobre, urânio, algodão, ouro) – exportados por redes viárias que buscavam mais o escoamento de produtos que a integração do território – e da exploração de etnias pelos interesses no poder. Entre as rivalidades fomentadas, destacam-se a entre os lunda, luba e lulua, no Sudeste, e a entre congoleses, banyar­wanda e banyamulenge (descendentes de tutsi e hutu de Ruanda), no Leste.

Outras heranças marcantes foram os conflitos internos pós-coloniais e as escolhas políticas de lideranças nacionais. Por outro lado, a colonização trouxe frutos positivos, criando uma das economias mais pujantes da África, sobretudo devido aos crescimentos agrícola e industrial. Esse potencial pós-independência (1960) foi prejudicado, temporariamente, pela guerra civil precoce, e, de forma mais permanente, pelas políticas presidenciais. No primeiro caso, além da incapacidade administrativa gerada pela insuficiência do sistema educacional colonial para os nativos, as divisões étnico-regionais resultaram em graves conflitos políticos, concretizados nos separatismos de Katanga e Kasai. As disputas nesses enclaves mineradores (de cobre/cobalto e diamantes, respectivamente) envolviam rivalidades entre luba, lunda e lulua e foram posteriormente suprimidas com apoio da ONU. Além disso, a Crise do Congo (1960-1965) aglutinou rivalidades próprias da Guerra Fria, como o assassinato do primeiro-ministro do país, Patrice Lumumba, em 1961,com participação belga e apoio da CIA, e a explosão de movimentos revolucionários no centro e no leste do país, suprimidos com apoio dos EUA e da Bélgica. A guerra causou a morte de 200 mil pessoas e o seu fim foi marcado pela ascensão do militar Joseph-Désiré Mobutu (1930-1997) com apoio ocidental (EUA, França e Bélgica).

Com o falecimento de Nelson Mandela em dezembro passado, o líder sul-africano ganhou as manchetes dos jornais de todo o mundo. Nossa presidenta, Dilma Rousseff foi uma das que discursou em seu velório (YouTube). Mandela foi um dos principais responsáveis pelo fim do Apartheid (Globo Educação), sistema de segregação racial ora instalado no país (Carta Capital). Ainda hoje, 20 anos após do fim da segregação oficial, o país ainda sofre as consequências dessa época terrível (Carta na Escola). Para contemplar essa atualidade, preparei um material especial sobre a dominação imperialista da África do Sul. Baixando o material abaixo, você pode entender melhor como se formou o sistema de segregação racial que oprimiu por décadas os sul-africanos.

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A partilha imperialista da África é um dos temas mais relevantes da atualidade, uma vez que se discute muito o desenvolvimento do continente africano e suas perspectivas. Acontecimentos recentes, como a guerra no Congo (leia na Carta Capital e na Carta na Escola), têm relação direta com a exploração sofrida pelo continente nos séculos passados (que se estende até hoje?). Clicando abaixo, você baixa o material de apoio desta aula. Abraço e bons estudos.

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Carta Escola

O texto de Emir Sader na Revista Carta na Escola de abril esclarece um pouco do impacto que o golpe militar causou no nosso país e do que ficou para trás na transição da ditadura para a democracia. Cito trechos abaixo. Boa leitura!

Para sabermos o que ficou do golpe militar, é preciso antes resumir o que ele introduziu na vida do País. O golpe representou, antes de tudo, a ruptura do processo democrático que o Brasil construía há menos de 20 anos. Pela primeira vez, havíamos elegido presidentes, sucessivamente, por quatro mandatos, com voto universal – mesmo que ainda excluindo os analfabetos.
É certo também que todavia ainda era uma democracia frágil […]. Mas o período entre 1945-1964 tinha representado mesmo assim um avanço democrático, porque tinha sido precedido por 15 anos de ditadura de Getúlio Vargas, que, por sua vez, tinha interrompido uma fase de um sistema oligárquico, dominado por caciques e pelo voto de cabresto – em que os camponeses eram levados a votar nos candidatos apontados pelos latifundiários e pela fraude, entre 1889 e 1930.
O golpe militar rompeu com essa continuidade, impôs a mais brutal ditadura que o País conheceu, destruindo ou golpeando profundamente a tudo o que tivesse elementos de democracia – Parlamento, Judiciário, partidos políticos, sindicatos, imprensa, entidades sociais e culturais, assim como as pessoas que ele arbitrariamente decidisse que estivessem vinculadas a essas atividades, consideradas “subversivas” pelo regime militar.
[…] O Brasil viveu um processo gradual e moderado de transição da ditadura para a democracia. […] Como consequência, o primeiro governo civil depois do fim da ditadura terminou sendo presidido por um político – José Sarney, depois da morte de quem tinha sido eleito por aquele Colégio –, proveniente da ditadura, ao mesmo tempo que seu governo foi composto pelo principal partido de oposição – PMDB – e por um partido originário da ditadura – PFL.
O regime democrático instaurado a partir desse pacto de conciliação entre setores opostos e outros provenientes da ditadura deu-lhe um caráter conservador. Foi restaurado o Estado de Direito […] Mas nenhuma reforma estrutural, de fundo, dos poderes sociais e econômicos da época da ditadura, foi realizada. Não houve reforma agrária, para democratizar o acesso às terras. Não houve reforma do sistema bancário, para permitir a democratização do acesso aos créditos. Não houve democratização dos meios de comunicação que, ao contrário, se tornaram ainda menos democráticos. […] A democracia restaurada foi um misto do velho e do novo, do Estado de Direito e de elementos – econômicos, sociais, políticos – herdados da ditadura. […]

Carta na Escola.

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A Revista Carta na Escola publicou uma surpreendente entrevista com o ex-jogador e deputado federal Romário. O parlamentar criou um projeto de lei para tornar crime passível de prisão a divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem a permissão da pessoa retratada. A lei vem para disciplinar uma ação que se torna cada vez mais comum nos nossos dias, levando-nos a refletir sobre a privacidade na era digital. Reproduzo abaixo alguns trechos mais relevantes. Clicando na imagem acima, você pode ler a entrevista completa.

Boa leitura!

Revenge porn, ou “pornografia de revanche”, é o ato de compartilhar sem permissão fotos ou vídeos íntimos de terceiros em redes sociais ou páginas da internet. Na maior parte dos casos, as vítimas são mulheres e os autores, homens com quem elas mantinham relações, não raro inconformados com a separação. […] a pornografia de revanche chamou a atenção do deputado federal Romário (PSB-RJ). Ele é o autor de projeto de lei que visa criminalizar a divulgação de nudez e atos sexuais sem permissão. O PL nº 6.630/2013 prevê pena de até três anos de detenção e indenização – a punição aumenta caso a vítima seja menor de idade ou tenha mantido relacionamento com o autor.

[…]

Carta na Escola – No final de 2013, aconteceram dois suicídios após disseminação de vídeos íntimos na internet. Como o projeto de lei ajudaria a evitar esse tipo de situação?
Romário – O projeto torna a lei mais rígida para que a pessoa que cometer o ­crime tenha punição equivalente à gravidade do ato e arque com suas consequências. Hoje as penas são brandas. Acredito que a ­exposição que o problema ganhou já ajudará a evitar, porque estão vendo que isso é algo muito sério. Também acredito que quem pensou em fazer isso vai pensar duas vezes com a possibilidade de detenção.

[…]

Carta na Escola – Por que a mulher é socialmente hostilizada quando um vídeo íntimo envolvendo-a é vazado, enquanto o homem, quando exposto em um vídeo de sexo, não sofre constrangimento social?
Romário – Questão machista. O homem é garanhão porque faz sexo, mas a honra da mulher é questionada. Pensamento extremamente atrasado, até mesmo violento.

[…]

Carta na Escola – Uma lei é capaz de influenciar a opinião pública a favor da punição dos responsáveis pela divulgação? A pressão sobre a mulher exposta diminuirá?
Romário – Sim, já vemos isso com a Lei Seca. Hoje as pessoas não tratam com naturalidade quem dirige bêbado e comete acidentes. Acho que acontecerá o mesmo. […]