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A_Gazeta

Um professor de Políticas Públicas da UFES, Roberto Garcia Simões, publicou uma ótima reflexão sobre a Educação pública nA Gazeta de hoje. Eu fico impressionado como raramente os problemas do nossa rede aparecem nos jornais. Vale a pena, portanto, acompanhar a reflexão. Cito trechos abaixo.

[…] No Ensino Médio, destaquei resultados da auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O Espírito Santo aparece em primeiro lugar na contratação de professores temporários. E, em segundo lugar, na de profissionais sem formação específica para dar aula. Deste jeito, a educação é essencial para o desenvolvimento? […] As contratações permanentes no Estado estão sob a influência da pressão social e das pesquisas de opinião. A ênfase é na segurança — uma necessidade. Mas esgotou-se a possibilidade de o Tesouro suportar contratações na educação? Em quanto tempo é possível reduzir os temporários no Ensino Médio de 67% para 5%?

Se difundiu na rede estadual de ensino a ideia de que só se consegue recursos para a escola obedecendo as normas da Secretaria de Educação. Funcionaria assim: nós adotamos todos os projetos e regras, as mais absurdas que forem, sem questionar. Assim fazendo, teremos acesso aos benefícios do Poder: reformas, tablets, computadores, quadros digitais etc. Isso realmente pode funcionar. O problema fundamental, para mim, é a subserviência ao Poder estabelecido. É que esse é o pensamento do bom soldado que aniquila os inimigos de seu país sem questionar a moralidade de seus atos – é o pensamento dos Paul Tibbetts Jr. da vida. Afinal, somos bons funcionários, temos a consciência tranquila e nunca pensamos nos danos que possamos causar à valorização da carreira do professor, aos discentes e à Educação num contexto amplo. É preciso romper definitivamente com a cultura da subserviência.

A Secretaria de Estado da Educação tem a obrigação legal e moral de servir às escolas. Não se trata absolutamente de uma troca de favores. A escola precisa ser crítica com relação aos projetos implementados pela SEDU (o que dizer da estúpida Pauta Eletrônica? Quantas vezes escutamos a ordem “tem que fazer!” a despeito do prejuízo na elaboração das aulas? Prejuízo sofrido sobretudo pelos nossos alunos), precisa exigir objetivos claros e medidas estruturais, que mudem realmente o modelo da educação estadual. Como questiona Alfredo Bosi na edição 781 de Carta Capital, “para onde se movem essas máquinas gigantescas que se chamam sistemas escolares?”. Trata-se de exigir o cumprimento de direitos estabelecidos. É um caminho difícil, conflitivo, e que nos afastará das boas graças do Poder. É, contudo, o único caminho para uma valorização real da Educação. Não há mudanças quando os principais atores abaixam suas cabeças e obedecem acriticamente – e falam, obviamente da boca para fora, que vão formar cidadãos.