Posts Tagged ‘História do Brasil’

IPEA   CorCultura

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA – lançou, no fim do ano passado, um relatório impressionante sobre a violência contra os negros no Brasil. Mais uma vez, a pesquisa mostra que o racismo não pode ser esquecido entre os fatores que levam à morte violenta de negros em nosso país. Diferente do que acostumamos a pensar, não somos um país miscigenado, uma democracia racial, onde não há desigualdade e preconceito. O racismo velado do brasileiro, mal escondido em piadinhas nada inocentes como a do Faustão, cria obstáculos ao acesso do negro no mercado de trabalho e à escola, além de reduzir sua expectativa de vida. Valorizar os cidadãos negros brasileiros é um trabalho de todos os dias. Abaixo, assista o vídeo de A Cor da Cultura e leia trechos de reportagem sobre a pesquisa do IPEA.

1. Joaquim Barbosa representa Luiz Gama na série Heróis de Todo Mundo.

2. IPEA. Pesquisa apresenta dados sobre violência contra negros

O estudo […] analisou ainda em que medida as diferenças nos índices de mortes violentas podem estar relacionadas a disparidades econômicas, demográficas, e ao racismo. De acordo com os autores, “o componente de racismo não pode ser rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios entre homens negros e não negros no país”.

Considerando apenas o universo dos indivíduos que sofreram morte violenta no país entre 1996 e 2010, constatou-se que, para além das características socioeconômicas – como escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, faz aumentar a probabilidade do mesmo ter sofrido homicídio em cerca de oito pontos percentuais.

Novamente Alagoas é o local onde a diferença entre negros e não negros é mais acentuada – a taxa de homicídio para população negra atingiu, em 2010, 80 a cada 100 mil indivíduos. No estado, morrem assassinados 17,4 negros para cada vítima de outra cor. Espírito Santo e Paraíba também são destaques negativos no ranking elaborado pelo Ipea, com, respectivamente, 65 e 60 homicídios de negros a cada 100 mil habitantes (no Espírito Santo os assassinatos diminuem a expectativa de vida dos homens negros em 2,97 anos; na Paraíba, em 2,81 anos).

O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população”, afirma o documento.

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CongressoF   Folha

Ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais uma de suas declarações polêmicas, afirmando que o julgamento do mensalão, que levou para a cadeia alguns figurões do Partido dos Trabalhadores (PT), foi 80% político e 20% jurídico. Eu realmente não poderia dizer quanto do julgamento do mensalão foi político, contudo, fica evidente o desejo do ex-presidente de usar seu prestígio para recontar o caso e favorecer sua candidata à reeleição presidencial. Assim é a história: grupos de interesse disputam a verdade de certos acontecimentos até que, com o tempo, as pesquisas venham a formular interpretações mais amplas, considerando o contexto completo. O processo do mensalão certamente será alvo das investigações dos historiadores do Brasil e essa história será recontada inúmeras vezes — provavelmente não do jeito que o ex-presidente gostaria.

Cito abaixo trechos do Congresso em Foco e da Folha de S. Paulo que tratam do assunto.

1. Congresso em Foco. Lula diz que petistas presos no mensalão não são de sua confiança.

[…] Lula afirmou que o julgamento será “recontado” e que ele “teve praticamente 80% de decisão política e 20% jurídica”. Em entrevista à rede de televisão portuguesa RTP, levada ao ar neste domingo (27), o ex-presidente interrompeu a jornalista Cristina Esteves quando ela questionou-o sobre pessoas de sua confiança que foram presas. “Não se trata de gente da minha confiança. Tem companheiros do PT presos, eu indiquei seis pessoas da Suprema Corte que julgaram e acho que cada um cumpre com seu papel”, afirmou Lula. “Não houve mensalão.” […]

Na entrevista, Lula minimizou as queixas de gastos com a Copa do Mundo e dos protestos de junho. “A gente não faz a Copa do Mundo pensando em dinheiro. A Copa é o encontro de civilizações”, disse ele.

O ex-presidente disse que o motivo dos protestos é um desejo natural de melhoria de vida das pessoas. “Porque o povo quer mais. Ah! Assim é a humanidade. Se hoje você come contrafilé, amanhã você quer filé”, afirmou Lula. “Acho extraordinário que o povo queira mais. Instituiu-se no Brasil o padrão Fifa. Eu quero escola padrão Fifa, transporte padrão Fifa. Eu acho ótimo”. […]

2. Folha de S. Paulo. Avaliação de Lula sobre mensalão é ‘troço de doido’, diz ministro do STF.

[…] Para Marco Aurélio, o ex-presidente está exercendo o seu “sagrado direito de espernear”. Ele espera, porém, que a tese defendida por Lula não ganhe ressonância na sociedade.

“Só espero que esse distanciamento da realidade não se torne admissível pela sociedade. Na dosimetria [tamanho das penas] pode até se discutir alguma coisa, agora a culpabilidade não. A culpa foi demonstrada pelo Estado acusador”, disse. […]

Além disso, o ministro ainda lembrou que, no final da primeira fase do mensalão a composição do STF era majoritariamente formada por ministros indicados por Lula. Por isso, em sua avaliação, as críticas do ex-presidente não fecham. “Ele repete algo que não fecha. No final do julgamento eram só três ministros não indicados por ele […]”.

Após um longo e tenebroso inverno, finalmente um material de apoio para as turmas de Segundo Ano. Trata-se da segunda parte da nossa matéria sobre a Formação Territorial do Brasil, quando vamos abordar o papel dos bandeirantes paulistas nesse processo. De quebra, a matéria é praticamente a introdução para o nosso próximo conteúdo: a mineração na América portuguesa. Para baixar o texto de apoio, é só clicar na imagem abaixo. E atenção aos links sugeridos! Eles são essenciais para complementar seus estudos.

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Links sugeridos.

Sobre os bandeirantes:
1. Revista de História da Biblioteca Nacional. Mito mutante.
2. Revista de História da Biblioteca Nacional. Dossiê Bandeirantes.
3. UOL Educação. Bandeirantes: heróis ou vilões?
4. HistóriAtiva net. O bandeirante Fernão Dias (esse texto serve de exemplo da perspectiva do bandeirante como herói).

Sobre a destruição do Quilombo de Palmares:
1. História Brasileira. Guerra dos Palmares.
2. Comissão Pró-Índio de São Paulo. A resistência no Quilombo de Palmares.
3. Educacional. A destruição de Palmares.

Sobre a resistência indígena no Brasil Colonial
1. História Net. Resistência indígena.
2. IFCH UNICAMP. Resistência indígena à colonização cristã.
3. A noção de “guerra justa” no Brasil Colônia.

Atualidade sobre a destruição das comunidades indígenas:
1. Carta Capital. A nova “guerra justa” aos índios.

Guia_do_Estudante

O Guia do Estudante publicou uma matéria ótima sobre a Ditadura Militar brasileira! É perfeito para quem ainda acha que “naquela época que era bom”, que não havia corrupção ou que havia maior segurança. Um por um, a revista detona todos os mitos da ditadura. Cito trechos. Para ler a reportagem completa, clique na imagem acima.

4. “Não havia corrupção no Brasil”

Uma característica básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço –, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”. Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá. Experimente jogar no Google termos como “Caso Halles”, “Caso BUC” e “Caso UEB/Rio-Sul” e você nunca mais vai usar esse argumento.

[…]

6. “O Brasil cresceu economicamente”

Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.

Carta Escola

O texto de Emir Sader na Revista Carta na Escola de abril esclarece um pouco do impacto que o golpe militar causou no nosso país e do que ficou para trás na transição da ditadura para a democracia. Cito trechos abaixo. Boa leitura!

Para sabermos o que ficou do golpe militar, é preciso antes resumir o que ele introduziu na vida do País. O golpe representou, antes de tudo, a ruptura do processo democrático que o Brasil construía há menos de 20 anos. Pela primeira vez, havíamos elegido presidentes, sucessivamente, por quatro mandatos, com voto universal – mesmo que ainda excluindo os analfabetos.
É certo também que todavia ainda era uma democracia frágil […]. Mas o período entre 1945-1964 tinha representado mesmo assim um avanço democrático, porque tinha sido precedido por 15 anos de ditadura de Getúlio Vargas, que, por sua vez, tinha interrompido uma fase de um sistema oligárquico, dominado por caciques e pelo voto de cabresto – em que os camponeses eram levados a votar nos candidatos apontados pelos latifundiários e pela fraude, entre 1889 e 1930.
O golpe militar rompeu com essa continuidade, impôs a mais brutal ditadura que o País conheceu, destruindo ou golpeando profundamente a tudo o que tivesse elementos de democracia – Parlamento, Judiciário, partidos políticos, sindicatos, imprensa, entidades sociais e culturais, assim como as pessoas que ele arbitrariamente decidisse que estivessem vinculadas a essas atividades, consideradas “subversivas” pelo regime militar.
[…] O Brasil viveu um processo gradual e moderado de transição da ditadura para a democracia. […] Como consequência, o primeiro governo civil depois do fim da ditadura terminou sendo presidido por um político – José Sarney, depois da morte de quem tinha sido eleito por aquele Colégio –, proveniente da ditadura, ao mesmo tempo que seu governo foi composto pelo principal partido de oposição – PMDB – e por um partido originário da ditadura – PFL.
O regime democrático instaurado a partir desse pacto de conciliação entre setores opostos e outros provenientes da ditadura deu-lhe um caráter conservador. Foi restaurado o Estado de Direito […] Mas nenhuma reforma estrutural, de fundo, dos poderes sociais e econômicos da época da ditadura, foi realizada. Não houve reforma agrária, para democratizar o acesso às terras. Não houve reforma do sistema bancário, para permitir a democratização do acesso aos créditos. Não houve democratização dos meios de comunicação que, ao contrário, se tornaram ainda menos democráticos. […] A democracia restaurada foi um misto do velho e do novo, do Estado de Direito e de elementos – econômicos, sociais, políticos – herdados da ditadura. […]

R7

Essa série de reportagens está entre as coisas mais terríveis que já vi na vida. O horror da tortura praticada pelos militares durante a Ditadura parece sempre revelar novas características, mais cruéis. Como se não bastasse perseguir, prender e torturar barbaramente aqueles que se opunham ao regime golpista, ainda levavam seus filhos para assistir aos horrores. Assista aos vídeos. São revoltantes e comoventes.

JB   AND

Uma manifestação contra a comemoração do Golpe Militar de 1964 acabou em mais uma demonstração da violência policial no Rio de Janeiro. Quando um manifestante jogou uma garrafa de tinta vermelha no Clube Militar, os policiais partiram para a agressão. As reportagens são do Jornal do Brasil e do jornal A Nova Democracia.

O protesto em repúdio ao golpe militar, que completou 50 anos, teve confusão no Centro do Rio. Um grupo de manifestantes arremessou uma garrafa com tinta vermelha na porta da sede do Clube Militar, que fica na Cinelândia, por volta das 19h. Policiais que faziam a segurança do local reagiram e jogaram duas bombas, uma de efeito moral e outra de gás lacrimogêneo. O grupo se dispersou, mas voltou a se reunir em frente à Câmara Municipal, onde uma outra parte dos manifestantes estava concentrada. […]

A manifestação, chamada de “descomemoração”, segundo os ativistas, foi convocada pelo Facebook. Os organizadores fizeram um apelo para “um belo ato em repúdio à comemoração do golpe militar”, que instaurou “uma ditadura sanguinária e entreguista no Brasil”, diz o texto, que marcou o ato para a porta do Clube Militar, na Avenida Rio Branco.