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Amar e mudar as coisas

Posted: May 23, 2014 by Vitor C. in H&Cultura
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A voz de Belchior… deixa a desejar. As letras e músicas do álbum Alucinação, no entanto, são primorosas e refletem o momento político por que passava o Brasil. Em 1976, o Brasil era governado por militares ditadores e a censura controlava tudo o que era publicado no país, de notícias de jornal a livros e músicas. Então, Belchior cantava

Não tome cuidado
Não tome cuidado comigo
O canto foi aprovado e Deus é seu amigo

Não tome cuidado
Não tome cuidado comigo
Viver é que é… o grande perigo!

Nesse período, em que alguns jovens buscavam nos livros e nas teorias socialistas a resposta para os problemas do país, enquanto outros se engajavam na luta armada, iniciando uma guerrilha contra a Ditadura, Belchior cantava “amar e mudar as coisas me interessam mais”.

No vídeo abaixo, você pode ouvir A palo seco, uma das músicas mais bonitas que conheço na vida.

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

Em uma época mais autoritária que a nossa, aquela da Ditadura Militar, Chico Buarque e Caetano Veloso compuseram essa música, esse grito de resistência, exemplo da força dos homens e das mulheres que, dia após dia, tem que levar a vida. Em nossa época, o Estado não deixou de ser autoritário, nossa democracia esconde mal uma ditadura civil e a música continua atual. Mesmo com toda a repressão do Estado, a gente vai levando!

Mesmo com toda a fama
Com toda a brahma
Com toda a cama
Com toda a lama
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama

Mesmo com todo o emblema
Todo o problema
Todo o sistema
Toda Ipanema
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema

Mesmo com o nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito
Com a cara dura
Não tem mais jeito
A gente não tem cura

Mesmo com o todavia
Com todo dia
Com todo ia
Todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
Vai levando
Vai levando essa guia

Caetano Veloso – Chico Buarque/1975.

A música de Max Gonzaga arrasa em crítica social e faz piada com os preconceitos da nossa classe média, que “se acha” por que lê a Veja, uma das revistas mais conservadoras do país, e transborda ignorância quando se trata de punir os mais pobres.

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
[…]

Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Confira a letra!