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Roda Viva

O Roda Viva da última segunda-feira entrevistou Almino Afonso, que foi ministro da Trabalho e da Previdência Social no governo de João Goulart. Deputado Federal pelo PTB quando aconteceu o Golpe Militar, foi perseguido pela Ditadura e viveu 12 anos no exílio antes de poder voltar ao Brasil. Almino Afonso é uma das mais importantes testemunhas do período e sua entrevista é imperdível. Abraço.

Roda Viva.

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Clicando no logotipo do Roda Viva, acima à direita, você pode ler a entrevista de Niède Guidon, uma das mais importantes arqueólogas brasileiras ao programa da TV Cultura. O vídeo, infelizmente, só traz um pequeno trecho da entrevista, mas vale a pena conferir. Abaixo, copiei a apresentação que o programa fez da arqueóloga.

‘Quem foram esses primeiro brasileiros? Como surgiram? Como viveram?’ E quem imaginou que um dia teríamos de fazer essas perguntas em pleno sertão do Piauí e ali mesmo encontrar algumas respostas? É essa a paisagem deserta em São Raimundo Nonato, no sudeste piauense, que está ajudando a reescrever a pré-história brasileira. A área tem hoje a maior concentração de sítios arqueológicos das Américas, são mais de 700, além de um conjunto de mais de 25 mil desenhos rupestres, os mais importantes vestígios descobertos sobre nossa antiguidade. A região virou patrimônio cultural da humanidade e deu origem ao parque nacional da Serra da Capivara.

As primeiras histórias novas da nossa história velha foram reunidas por uma equipe da TV Cultura que, em 1992, se embrenhou nesse sertão e produziu um documentário Pré-história da Pedra Furada. Num trajeto poeirento e penoso pela caatinga e pelas rochas, a equipe chegou à Toca do Boqueirão da Pedra Furada, em busca da personagem que começou a investigar a antiguidade no Piauí, Niède Guidon. Paulista, filha de francês com índio, formada em história natural na Universidade de São Paulo [USP] e graduada em arqueologia pela Universidade de Sorbonne, ela trocou Paris pelo sertão, em busca das pegadas do homem no Brasil pré-histórico. Ela chegou a São Raimundo Nonato em 1970, de jipe, atraída pelas pinturas rupestres que viu por fotografia. Com a ajuda dos moradores e mais duas viagens, foi ampliando as descobertas e, em 1975, montou a equipe de cientistas e auxiliares que fariam as escavações. Após dez anos de trabalho e muita terra revolvida juntou-se uma infinidade de ossos, pedras lascadas e restos de fogueira.

O carvão estudado revelou que o homem passou por ali há cerca de 50 mil anos e contrariou a teoria de que a primeira chegada do homem ao Brasil foi há 12 mil anos. Esse homem teria origem nas tribos nômades da África que se deslocaram para a Ásia, enfrentaram as geleiras da Sibéria e, numa época que o estreito de Bering congelou, fizeram a travessia para o Alasca se espalhando depois pelas Américas. Niède Guidon sugeriu outra hipótese, o homem teria atravessado o estreito de Bering muito antes do que se calculou, ou ,então, ele chegou aqui pelo mar. As descobertas em São Raimundo Nonato foram parar nas principais revistas científicas do mundo, equipes de TV do Japão e da Alemanha vieram ao interior do Piauí ver as pinturas e o acervo da fundação Museu do Homem, criada por Niède Guidon, para mostrar o enorme quebra-cabeças de ossos, pedras e fósseis da vida exuberante do Piauí pré-histórico.

Estes dentes grandes são do tigre de dentes-de-sabre que viveu aqui, a tíbia [osso da perna] é de uma preguiça gigante que pesava três toneladas e era maior que o elefante. Estas placas são dos cascos de um tatu que tinha o tamanho de um Fusca [modelo de carro popular da Wolkswagen]. Hoje, esse lugar seco onde o urubu-rei voa silencioso parece sobreviver apegado apenas à teimosia que sustenta a vida no sertão. A fundação Museu do Homem que, junto do Ibama [Insituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] cuida do parque nacional da Serra da Capivara, está sem verbas e não consegue fiscalizar caçadores, lenheiros. Durante décadas, milhares de árvores nobres foram cortadas e queimadas para transformar pedra em cal, tradicional fonte de renda da região. Restos desses fogos se intrometeram na paisagem, onde um outro fogo, há milhares de anos, deu luz e calor à vida que se busca desvendar nas rochas de São Raimundo Nonato.

Nos desenhos mais antigos essa gente parecia alegre, dançava, registrava cenas de sexo. Mais tarde, outros desenhos, com mais cores, revelaram as primeiras cenas de luta, entre eles, que desfez grupos, e também de união para enfrentar animais perigosos. Esses povos podem ter desparecido há 6 mil anos. Depois deles, vieram outros na aventura humana de nascer, sobreviver e morrer. Deixaram pouquíssimos registros e há dúvidas sobre se desaparecerem ou se vieram a dar origem aos nossos índios. As crianças da região, que têm o privilégio de estudar ao vivo essa pré-história, se encantam e levam para seus cadernos as peças do quebra-cabeças da nossa história antiga. Quanto dessa história compõe nossas raízes e nosso espírito, não sabemos ao certo, apenas seguimos sem muita noção do futuro que nos espera e sem saber direito que passado tivemos”.